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Dois

sábado, dezembro 3, 2011.

Eram casais em sua forma básica: homem e mulher, alguma diferença de idade e sorrisos espalhados nos cumprimentos. Fora isso, as duplas não tinham nada em comum.

Quando o primeiro se formou, inauguraram a fase de ouro das duas casas: eram primogênitos no sentido cru da palavra – primeiros filhos, netos e sobrinhos – a sentarem seus traseiros em um sofá e passarem algumas horas trocando confidências. Trocaram mais que isso: o sofá deu lugar às casas de familiares e as confidências à intimidade. Com ela, vieram as incertezas de como seguir.

O segundo casal parecia uma possível continuação alternativa do primeiro. Um “happy ending” certeiro, contrastando com a pasmaceira habitual dos familiares e do casal número um. E, se existem papéis a serem cumpridos em uma relação, estes eram cumpridos com perfeição pelos dois: mesmos gostos, mesmas amizades, cumplicidade, afinidade e o sonhado sentimento de amor romântico com o qual a Disney nos faz sonhar desde as fraldas.

As incertezas e tormentas do primeiro casal pareciam não afetar o segundo, sempre forte e confiante de que, agora juntos, nada mais deveriam temer. Os primogênitos, por sua vez, também não se abalavam com a demasiada confiança e realização dos outros. Ficaram, até mesmo, aliviados: sentiam-se menos obrigados a cumprir funções sociais de “felicidade” perante a sociedade.

Existem ocasiões nas quais o ditado “parece, mas não é” pode ser convertido em “assim é, se lhe parece”. Ocorreu que eram tantas as felicidades, as alegrias, as paixonites e os entendimentos que o “eterno enquanto dure” acabou. O segundo casal amargou o gosto amargo: de admitir o fim – um para o outro, principalmente, e de enterrar uma história que poderia ter sido bonita e duradoura sem tantos excessos. Enfim, de saber que o fim é, também, uma forma de começo, como diria o poeta.

O primeiro casal continuou sua luta, às vezes, no sentido literal da palavra. Nunca foram verdadeiramente admirados, mas julgados, sempre com o ar de dúvida daqueles que indagavam: “até quando? será possível? como os dois conseguem?” Porém, compreender que o amor não é romantismo mas luta (e, tantas vezes, luta interna, debatendo tête-à-tête com você mesmo em benefício dos dois) pode ser, de fato, uma grande vitória em dias de desamores românticos diários.

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